Social Media – Antes do quanto cobrar vem o que vender
5 de novembro de 2016
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Há algumas semanas eu vi a nova tabela de preços de serviços digitais da APADI. Imagino que esta tabela já tenha “corrido” pelas agências paraenses e que os valores já tenham sido debatidos (altos para o mercado paraense).

Os valores podem ser elevados para o nosso mercado, pois a tabela foi montada para a capital paulista, mas acho que ainda não estamos em condições de debater os valores, digo isso pois recebo com frequência pedidos de colegas para ajudar na definição de um valor pelo serviço de Social Media e a maior parte não faz ideia do que de fato vai realizar.

Tenho uma hipótese que o principal problema do mercado paraense não é o quanto cobrar ou cobrar barato demais, mas sim a definição clara do escopo do projeto que será realizado. Resumir tudo em um serviço de “social Media” e apresentar isso como solução milagrosa é o mesmo quando um médico resume todas as doenças como virose, e não define a verdadeira doença, aplica um remédio para mascarar os sintomas e quando percebe a verdadeira doença já é tarde demais. Fazer postagem caça-likes e entregar “relatórios” com alcances gigantes só cria uma ilusão de resultados. o que acontece tanto por pressão do cliente por resultados mágicos com pouco orçamento ou pelo desconhecimento do profissional de planejamento e gestão de projetos digitais.

Devemos buscar conhecer o verdadeiro problema do cliente e aplicar a solução adequada. Haverá casos que a combinação de SEO + Links Patrocinados será a solução, já em outras pode ser conteúdo para Youtube + Facebook Ads. As combinações são infinitas e cada uma tem custos diferentes.

Também precisamos entender que o serviço de social media não se resume somente à produção de conteúdo, pois você precisa do planejamento, monitoramento, métricas, relacionamento, gestão de mídia… E dentro do trabalho de produção de conteúdo você precisa de design, redação para mídias sociais, produção de vídeos, matérias para blogs e sites e por aí vai.

Diante disso tudo não podemos ficar presos a pacotes e macetes de vendas de gurus, precisamos aprender a criar soluções direcionadas para cada cliente possibilitando assim um resultado real.

Daí vem o questionamento: preciso saber tudo isso?
Sim e não. Você deve conhecer o básico de tudo e se especializar em uma área, dependendo do cliente pode se virar sozinho ou atuar com um parceiro. Se for uma agência a somatória das competências de cada funcionário deve abranger todos os conhecimentos necessários.

Pacotes são ruins?
Pelo contrário, ter uma variação de pacotes para iniciar a conversa ajuda na definição do que o cliente precisa e quanto isso custará. Você começa com os pacotes e depois ajusta para a real necessidade do cliente.

Sou freelancer, preciso entregar tudo?
Não, pois ficaria muito caro e o cliente vai acabar optando por uma agência ou você vai ter muito trabalho com um cliente só e acabar virando empregado não oficial. Verifique as principais dificuldades do cliente e relacione com as suas habilidades.
Se você é designer e o cliente tem uma pessoa para interagir nas mídias sociais, faça um contrato apenas da criação, deixando claro que o relacionamento e a gestão de crises ficará por conta dele. O contrário também pode acontecer, o cliente ter um designer, mas não ter o domínio das especificidades da comunicação digital, nesse caso você pode ficar com o planejamento, monitoramento e relacionamento e demandar as criações para equipe interna.

E as pequenas agências?
Não é por que é uma agência que deve entregar tudo. Monte um pacote exclusivo para a necessidade daquele cliente e coloque isso em contrato. Um bom contrato de R$800,00 pode ser mais lucrativo do que um pacotão de R$2.000,00.

Mas o cliente não entende as diferenças?
Ensine, oriente, use palavras fáceis de serem compreendidas. Se ele entender que terá eficácia e eficiência com o projeto que você está desenvolvendo ele topa com certeza. Se for muito cabeça dura, demita-o, pois às vezes aquele dinheiro de certos clientes dá mais prejuízo do que receita.

Para finalizar, vou falar um pouco de mim. Eu estudo regularmente tudo que posso sobre marketing digital, porém dedicando a maior parte do tempo em pesquisas sobre planejamento, monitoramento e métricas. Ofereço o serviço que domino e sempre que o cliente precisa de outras expertises eu sei exatamente quem chamar e como explicar, até como negociar valores. No fim todos se ajudam e saem ganhando e o cliente fica feliz.

Voltando à tabela que citei no início do texto, aconselho vocês lerem primeiro os serviços e como eles foram divididos, depois olhem os preços para ter uma noção de quanto é cobrado lá em São Paulo e por fim montem suas próprias tabelas e preços de acordo com a sua realidade.

Link da tabela: Guia de valores referenciais para serviços digitais – ABRADI-SP

Obs: Lembrando que a tabela acima abrange quase todos os serviços digitais e o post tem como foco a atividade de social media, isso se deve ao fato de que recebo muitas perguntas de ex-alunos e colegas sobre quanto cobrar por um serviço de social media e este texto atende a esta demanda, em breve farei outro texto mais abrangente.

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